Computação em nuvem para iniciantes: modelos de serviço e principais usos

Até 23 anos atrás, falar em Computação em Nuvem era puro papo de academia: em 1997, o ilustre professor de Sistemas de Informação Ramnath Chellappa foi quem cunhou o termo pela primeira vez durante uma de suas palestras. Mas quase 10 anos se passaram até que, em 2006, a Amazon – hoje a maior empresa de Cloud Computing do mundo – começasse a ofertar serviços de infraestrutura de TI para empresas através de serviços web – hoje popularmente conhecidos como serviços disponíveis na nuvem. 

Mas, o que é computação em nuvem? Qual a sua importância para um ecossistema de transformação digital em mutação cada vez mais acelerada? De uma forma muito simples, a computação em nuvem pode ser definida como a entrega de diferentes tipos de serviços de computação – incluindo servidores, armazenamento, bancos de dados, rede, software, análise e inteligência – via internet (no caso, “a nuvem”) – que podem ser acessados de qualquer computador com acesso à mesma.

O objetivo principal da cloud computing, por assim dizer, é justamente ser capaz de ofertar recursos flexíveis para uma economia de inovações em escala. Se observarmos quantos serviços importantes baseados em nuvem apareceram em pouco mais de uma década desde o surgimento da Amazon Web Services (AWS), podemos entender a importância crescente da nuvem para os serviços gerenciados de TI.

Quem são os players de mercado?


Somente 2 anos após os passos visionários de Jeff Bezos no caminho da nuvem é que surgiram os outros dois concorrentes de peso no mercado: Google Cloud, em 2008, e Microsoft Azure, em 2010. Para se ter uma ideia da imensa robustez do mercado de cloud, apenas no segundo trimestre de 2020 – qual seja, o período mais duro da pandemia do coronavírus no mundo todo – somente a Amazon Web Services reportou receita de US$ 10,8 bilhões. Um crescimento de 29% em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Outras empresas, como Alibaba, Oracle, SAP, IBM e Digital Ocean, entram nessa disputa com fatias menores de mercado, mas com sólido crescimento anual de mais de 20%. A Alibaba, por exemplo, cresceu impressionantes 92% em 2018, com receitas anuais de US$ 2,49 bilhões e 7,7% de participação no mercado de nuvem pública. E um fato curioso é a participação tardia da Oracle, que entrou como player no mercado de nuvem há apenas 4 anos, em 2016, com a oferta da “Oracle Bare Metal Cloud Services”. Há uma razão especial para isso, que contaremos mais adiante neste artigo.

No xadrez mundial da computação em nuvem, especula-se que haja espaço para que o Alibaba se una a seus 3 concorrentes principais (Amazon, Microsoft e Google) e torne-se uma plataforma de nuvem relevante globalmente. Atualmente, a plataforma possui enorme relevância na China, mas não nos mercados ocidentais, especialmente se comparada com Amazon, Microsoft e Google.

Para concorrentes com fatias menores de mercado, tais como Oracle, SAP, IBM e Digital Ocean, um cenário possível é que possam se tornar relevantes como players de nicho. A Digital Ocean há alguns anos tem se posicionado como plataforma amigável para desenvolvedores, com uma aposta cada vez maior em Developer Experience – uma ótima abordagem para conquistar novos clientes. A plataforma é comumente encontrada em ambientes não-produtivos, especialmente em startups. Porém, ainda são comparativamente poucas empresas que utilizam a Digital Ocean como plataforma em seus ambientes de produção.


IBM cloud


A IBM durante algum tempo tentou competir no modelo IaaS (leia abaixo os 3 principais modelos de serviço) com sua plataforma Softlayer, que oferece servidores bare metal a preços competitivos e configurações difíceis de se obter em comparação a players com fatias maiores de mercado no segmento. Com isso, a IBM acaba se posicionando como uma opção em nuvem pública que opta por manter os mesmos paradigmas dos datacenters tradicionais, porém com recursos a mais. Não demanda modernização das aplicações para ser atrativa.

Uma outra modalidade de plataforma oferecida pela IBM é o Bluemix, que se enquadra no modelo de Plataforma como Serviço (PaaS), com abstração quase total da camada de infraestrutura que a sustenta.

É interessante notar também o protagonismo da IBM em seu posicionamento como uma nuvem de nicho especializada em Serviços Financeiros. Historicamente, a IBM sempre foi o principal parceiro tecnológico de bancos e outras grandes instituições financeiras. Desde os antigos mainframes nos anos 70 até soluções mais contemporâneas, a IBM sempre se manteve muito relevante com soluções de missão crítica para serviços financeiros. 

Desta forma, a IBM sai na frente com ótimas condições no sentido de reduzir a complexidade e acelerar o lançamento de novos produtos para seus clientes no segmento. Esse é um tipo de oferta que deve crescer ao longo dos próximos anos.

Oracle cloud


A Oracle teve uma entrada tardia no mercado de nuvem e historicamente se posicionou algumas vezes de forma controversa, com seu CEO e principal acionista, Larry Ellison, afirmando que a nuvem não passava de “uma ideia idiota”, para depois afirmar que foi pioneiro na oferta de serviços em nuvem e que teria sido copiado pela Salesforce. Enfim, rivalidade de bastidores entre gigantes. 

Fato é que após alguns anos sem um plano claro para seus clientes – ávidos por consumir serviços em nuvem – a Oracle lançou oficialmente uma nuvem própria e passou a direcionar seu modelo de licenciamento de forma preferencial para a nuvem. Atualmente, a organização aposta em modelos de nuvem híbrida que permitam um bom casamento das soluções com sua base instalada on-premise. Além disso, comercialmente a Oracle vem incentivando que seus clientes on-premise passem a consumir as versões mais recentes de suas soluções já na nuvem.

É difícil prever o quão competitiva a Oracle poderá se tornar no futuro, mas  a empresa parece ter um horizonte muito mais favorável num modelo SaaS/PaaS em torno de suas soluções principais de software. O modelo IaaS terá mais dificuldade para se posicionar contra os players mais antigos que já estão mais consolidados.

Modelos de serviço: IaaS, PaaS ou SaaS?

  • Infraestrutura-Como-Serviço (IaaS)
  • Plataforma-Como-Serviço (PaaS)
  • Software-Como-Serviço (SaaS)

Antes da computação em nuvem, havia o chamado “software on-premise”, qual seja, aquele instalado e executado diretamente no servidor da própria empresa que faz o seu uso.

Já no mercado de cloud, o que temos são os 3 modelos principais respondendo 3 formas diferentes de, digamos, tirar o melhor proveito da nuvem para impulsionar o seu negócio. Por exemplo, no modelo IaaS, o que temos são serviços baseados em nuvem onde o usuário paga conforme o uso que irá fazer como armazenamento e virtualização. Entre as corporações trabalhando conforme esse modelo, estão: AWS EC2, Rackspace, Google Compute Engine (GCE) e Digital Ocean. O principal benefício da IaaS é oferecer alternativas baseadas em nuvem para infraestruturas on-premise, com isso poupando as empresas de investimento em recursos locais, que sairiam bem mais caros.

Já no modelo PaaS, o que temos são ferramentas de hardware e software disponíveis para o desenvolvimento de aplicativos. Isso significa que os desenvolvedores não precisam começar do zero ao criar seus aplicativos, mas economizar muito tempo (e dinheiro) com códigos extensos. Um exemplo de nuvem PaaS é o Heroku, plataforma que suporta várias linguagens de programação. Foi uma das primeiras a surgir no mercado, e está em desenvolvimento desde junho de 2007. Inicialmente, suportava apenas a linguagem Ruby, mas atualmente suporta Java, Node.js, Scala, Clojure, Python, PHP e Go.

Por esse motivo, Heroku é considerada uma plataforma poliglota, com recursos para um desenvolvedor construir, executar e dimensionar aplicativos em diversas linguagens de programação. Além da Heroku, outros fornecedores PaaS disponíveis são: AWS Elastic Beanstalk, Windows Azure, Force.com, OpenShift, Apache Stratos e Magento Commerce Cloud.

Salesforce: Saas e PaaS combinados


Muitas empresas investem em modelos SaaS e IaaS combinados, tal qual os grandes fornecedores de serviços. É o caso da Salesforce. Lançada em 1999 por um ex-executivo da Oracle, a Salesforce surgiu como um CRM SaaS, onde o usuário pode acessar seu software de maneira recorrente, a qualquer momento e por meio de quase qualquer computador conectado à Internet. Com o passar do tempo, porém, a Salesforce evoluiu para um modelo próprio de plataforma PaaS, chamado Lightning Platform, onde os usuários podem desenvolver e implementar aplicativos na nuvem da mesma forma que fariam com as plataformas de nuvem concorrentes: AWS, Google, Microsoft ou IBM. A ideia, no entanto, é os aplicativos desenvolvidos se integrem com outros existentes na plataforma.

No próximo post, falaremos sobre banco de dados e armazenamento na nuvem. 


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Computação em nuvem para iniciantes: modelos de serviço e principais usos

Até 23 anos atrás, falar em Computação em Nuvem era puro papo de academia: em 1997, o ilustre professor de Sistemas de Informação Ramnath Chellappa foi quem cunhou o termo pela primeira vez durante uma de suas palestras. Mas quase 10 anos se passaram até que, em 2006, a Amazon – hoje a maior empresa de Cloud Computing do mundo – começasse a ofertar serviços de infraestrutura de TI para empresas através de serviços web – hoje popularmente conhecidos como serviços disponíveis na nuvem. 

Mas, o que é computação em nuvem? Qual a sua importância para um ecossistema de transformação digital em mutação cada vez mais acelerada? De uma forma muito simples, a computação em nuvem pode ser definida como a entrega de diferentes tipos de serviços de computação – incluindo servidores, armazenamento, bancos de dados, rede, software, análise e inteligência – via internet (no caso, “a nuvem”) – que podem ser acessados de qualquer computador com acesso à mesma.

O objetivo principal da cloud computing, por assim dizer, é justamente ser capaz de ofertar recursos flexíveis para uma economia de inovações em escala. Se observarmos quantos serviços importantes baseados em nuvem apareceram em pouco mais de uma década desde o surgimento da Amazon Web Services (AWS), podemos entender a importância crescente da nuvem para os serviços gerenciados de TI.

Quem são os players de mercado?


Somente 2 anos após os passos visionários de Jeff Bezos no caminho da nuvem é que surgiram os outros dois concorrentes de peso no mercado: Google Cloud, em 2008, e Microsoft Azure, em 2010. Para se ter uma ideia da imensa robustez do mercado de cloud, apenas no segundo trimestre de 2020 – qual seja, o período mais duro da pandemia do coronavírus no mundo todo – somente a Amazon Web Services reportou receita de US$ 10,8 bilhões. Um crescimento de 29% em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Outras empresas, como Alibaba, Oracle, SAP, IBM e Digital Ocean, entram nessa disputa com fatias menores de mercado, mas com sólido crescimento anual de mais de 20%. A Alibaba, por exemplo, cresceu impressionantes 92% em 2018, com receitas anuais de US$ 2,49 bilhões e 7,7% de participação no mercado de nuvem pública. E um fato curioso é a participação tardia da Oracle, que entrou como player no mercado de nuvem há apenas 4 anos, em 2016, com a oferta da “Oracle Bare Metal Cloud Services”. Há uma razão especial para isso, que contaremos mais adiante neste artigo.

No xadrez mundial da computação em nuvem, especula-se que haja espaço para que o Alibaba se una a seus 3 concorrentes principais (Amazon, Microsoft e Google) e torne-se uma plataforma de nuvem relevante globalmente. Atualmente, a plataforma possui enorme relevância na China, mas não nos mercados ocidentais, especialmente se comparada com Amazon, Microsoft e Google.

Para concorrentes com fatias menores de mercado, tais como Oracle, SAP, IBM e Digital Ocean, um cenário possível é que possam se tornar relevantes como players de nicho. A Digital Ocean há alguns anos tem se posicionado como plataforma amigável para desenvolvedores, com uma aposta cada vez maior em Developer Experience – uma ótima abordagem para conquistar novos clientes. A plataforma é comumente encontrada em ambientes não-produtivos, especialmente em startups. Porém, ainda são comparativamente poucas empresas que utilizam a Digital Ocean como plataforma em seus ambientes de produção.


IBM cloud


A IBM durante algum tempo tentou competir no modelo IaaS (leia abaixo os 3 principais modelos de serviço) com sua plataforma Softlayer, que oferece servidores bare metal a preços competitivos e configurações difíceis de se obter em comparação a players com fatias maiores de mercado no segmento. Com isso, a IBM acaba se posicionando como uma opção em nuvem pública que opta por manter os mesmos paradigmas dos datacenters tradicionais, porém com recursos a mais. Não demanda modernização das aplicações para ser atrativa.

Uma outra modalidade de plataforma oferecida pela IBM é o Bluemix, que se enquadra no modelo de Plataforma como Serviço (PaaS), com abstração quase total da camada de infraestrutura que a sustenta.

É interessante notar também o protagonismo da IBM em seu posicionamento como uma nuvem de nicho especializada em Serviços Financeiros. Historicamente, a IBM sempre foi o principal parceiro tecnológico de bancos e outras grandes instituições financeiras. Desde os antigos mainframes nos anos 70 até soluções mais contemporâneas, a IBM sempre se manteve muito relevante com soluções de missão crítica para serviços financeiros. 

Desta forma, a IBM sai na frente com ótimas condições no sentido de reduzir a complexidade e acelerar o lançamento de novos produtos para seus clientes no segmento. Esse é um tipo de oferta que deve crescer ao longo dos próximos anos.

Oracle cloud


A Oracle teve uma entrada tardia no mercado de nuvem e historicamente se posicionou algumas vezes de forma controversa, com seu CEO e principal acionista, Larry Ellison, afirmando que a nuvem não passava de “uma ideia idiota”, para depois afirmar que foi pioneiro na oferta de serviços em nuvem e que teria sido copiado pela Salesforce. Enfim, rivalidade de bastidores entre gigantes. 

Fato é que após alguns anos sem um plano claro para seus clientes – ávidos por consumir serviços em nuvem – a Oracle lançou oficialmente uma nuvem própria e passou a direcionar seu modelo de licenciamento de forma preferencial para a nuvem. Atualmente, a organização aposta em modelos de nuvem híbrida que permitam um bom casamento das soluções com sua base instalada on-premise. Além disso, comercialmente a Oracle vem incentivando que seus clientes on-premise passem a consumir as versões mais recentes de suas soluções já na nuvem.

É difícil prever o quão competitiva a Oracle poderá se tornar no futuro, mas  a empresa parece ter um horizonte muito mais favorável num modelo SaaS/PaaS em torno de suas soluções principais de software. O modelo IaaS terá mais dificuldade para se posicionar contra os players mais antigos que já estão mais consolidados.

Modelos de serviço: IaaS, PaaS ou SaaS?

  • Infraestrutura-Como-Serviço (IaaS)
  • Plataforma-Como-Serviço (PaaS)
  • Software-Como-Serviço (SaaS)

Antes da computação em nuvem, havia o chamado “software on-premise”, qual seja, aquele instalado e executado diretamente no servidor da própria empresa que faz o seu uso.

Já no mercado de cloud, o que temos são os 3 modelos principais respondendo 3 formas diferentes de, digamos, tirar o melhor proveito da nuvem para impulsionar o seu negócio. Por exemplo, no modelo IaaS, o que temos são serviços baseados em nuvem onde o usuário paga conforme o uso que irá fazer como armazenamento e virtualização. Entre as corporações trabalhando conforme esse modelo, estão: AWS EC2, Rackspace, Google Compute Engine (GCE) e Digital Ocean. O principal benefício da IaaS é oferecer alternativas baseadas em nuvem para infraestruturas on-premise, com isso poupando as empresas de investimento em recursos locais, que sairiam bem mais caros.

Já no modelo PaaS, o que temos são ferramentas de hardware e software disponíveis para o desenvolvimento de aplicativos. Isso significa que os desenvolvedores não precisam começar do zero ao criar seus aplicativos, mas economizar muito tempo (e dinheiro) com códigos extensos. Um exemplo de nuvem PaaS é o Heroku, plataforma que suporta várias linguagens de programação. Foi uma das primeiras a surgir no mercado, e está em desenvolvimento desde junho de 2007. Inicialmente, suportava apenas a linguagem Ruby, mas atualmente suporta Java, Node.js, Scala, Clojure, Python, PHP e Go.

Por esse motivo, Heroku é considerada uma plataforma poliglota, com recursos para um desenvolvedor construir, executar e dimensionar aplicativos em diversas linguagens de programação. Além da Heroku, outros fornecedores PaaS disponíveis são: AWS Elastic Beanstalk, Windows Azure, Force.com, OpenShift, Apache Stratos e Magento Commerce Cloud.

Salesforce: Saas e PaaS combinados


Muitas empresas investem em modelos SaaS e IaaS combinados, tal qual os grandes fornecedores de serviços. É o caso da Salesforce. Lançada em 1999 por um ex-executivo da Oracle, a Salesforce surgiu como um CRM SaaS, onde o usuário pode acessar seu software de maneira recorrente, a qualquer momento e por meio de quase qualquer computador conectado à Internet. Com o passar do tempo, porém, a Salesforce evoluiu para um modelo próprio de plataforma PaaS, chamado Lightning Platform, onde os usuários podem desenvolver e implementar aplicativos na nuvem da mesma forma que fariam com as plataformas de nuvem concorrentes: AWS, Google, Microsoft ou IBM. A ideia, no entanto, é os aplicativos desenvolvidos se integrem com outros existentes na plataforma.

No próximo post, falaremos sobre banco de dados e armazenamento na nuvem. 


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1 comentário em “Computação em nuvem para iniciantes: modelos de serviço e principais usos”

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